A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicará até junho as normas de acreditação das operadoras de saúde – processo de certificação feito por empresa independente com base em critérios de qualidade. A intenção é que as operadoras busquem a certificação como forma de melhorar o atendimento.
“Esse é um processo voluntário. A agência vai induzir as empresas, usando mecanismos de regulação”, afirmou o diretor de Normas e Habilitação de Operadoras, Leandro Reis Tavares. Entre as medidas de incentivo que a agência estuda está a de usar a acreditação como um dos critérios para o reajuste anual.
A certificação de qualidade para operadoras começou a ser discutida na agência há dois anos e foi colocada em consulta pública no fim de 2010 – o órgão recebeu mais de mil contribuições, que estão sendo analisadas.
Segundo Tavares, a certificação faz parte de um pacote de iniciativas pela qualidade dos serviços da operadora, que incluem a divulgação de indicadores de desempenho de prestadores (hospitais e laboratórios) e da qualificação dos médicos de consultórios (títulos e formação acadêmica), definição de tempos máximos de garantia de acesso a serviços, como consultas.
O Consórcio Brasileiro de Acreditação, única empresa brasileira que tem acordo com a Joint Comission International, se antecipou às regras da ANS e criou o primeiro produto nacional para certificação de planos de saúde. São 224 critérios de qualidade que devem ser seguidos – o que inclui a criação de um código de ética, regras claras e públicas para descredenciar um prestador, para recusar o procedimento ao cliente.
Para José Valverde, coordenador de Acreditação para Operadoras de Planos de Saúde da CBA, a certificação pode ajudar a reduzir a sinistralidade – diferença entre a receita das operadoras e o quanto as empresas desembolsam para cobrir as despesas médicas. “Hoje a sinistralidade é muito alta, em torno de 87%. A acreditação pode fazer com que os profissionais médicos tenham outro foco em cima dos protocolos. Hoje, eles veem o protocolo como tentativa de cercear a atividade médica. Dentro de um projeto que busca a qualidade, a visão é outra”, afirma.
Desafio
FLÁVIO BITTER
DIRETOR DA SAÚDE BRADESCO
“O processo (de acreditação, iniciado há um ano) já significou mudanças na empresa, como dar maior publicidade aos direitos do segurado. Também criamos um novo sistema de reembolso online: facilidade para o cliente e menos gasto de papel.”
Fonte: estadao.com.br
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