CBA - Consórcio Brasileiro de Acreditação

JCI - Joint Comission International

Acreditação Internacional e Qualidade nos Centros Cirúrgicos

Durante os últimos anos, o gerenciamento dos centros cirúrgicos brasileiros vem enfrentando diversos problemas. A rara aplicação das ferramentas de excelência na revisão de processos e a inexistência do hábito de medir a qualidade na cultura organizacional resultam em queixas primárias de atrasos no início da cirurgia, suspensões por falta de materiais, deficiência no preparo do paciente, desaparecimento de exames, falta de sangue, falta de vagas no CTI e equipamentos quebrados. Todos esses transtornos poderiam ser minimizados pela adequação das instituições de saúde aos padrões internacionais de acreditação hospitalar, que têm como base políticas e procedimentos estabelecidos e aprovados pelos diversos atores envolvidos, além de atender os direitos do paciente e dos familiares. Envolvem ainda todo o planejamento, a avaliação e o monitoramento do cuidado até a alta, incluindo o pré, trans e pós-operatório. O processo de acreditação leva em conta também os aspectos legais, religiosos e culturais do país.
A aplicação dos critérios de acreditação contribui para a redução dos riscos no centro cirúrgico já que pressupõe a existência de um plano periódico para a capacitação dos recursos humanos. Outros fatores que visam a um ato cirúrgico e uma recuperação pós-anestésica segura são: a atualização em Centro de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), a aplicação de protocolos gerais e específicos, a segurança contra incêndio, a prevenção de riscos ocupacionais e a avaliação de desempenho, a fim de planejar e implementar melhorias. Também são importantes o monitoramento da qualidade dos equipamentos e a manutenção preventiva, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), a previsão e provisão de insumos e o monitoramento dos sistemas de energia – hidráulico, de lixo, de ventilação, de gases medicinais e outros sistemas-chave, que devem ser inspecionados e aprimorados regularmente. Dentro do monitoramento administrativo, devem ser incluídos o controle, a vigilância e a prevenção de eventos que ameaçam a segurança do paciente, dos familiares e do corpo profissional, como a ocorrência de infecção hospitalar, falhas na administração de medicamentos e má utilização de equipamentos e materiais.
Os padrões de acreditação também auxiliam na otimização da rotina e do tempo de atendimento no centro cirúrgico através da análise de processos simples que, em geral, não necessitam de alocação de recursos. A solução é garantir a integração e a comunicação sistemática entre os vários setores, que, apesar de serem responsáveis pela cadeia de suprimentos, muitas vezes não participam das decisões para o incremento da prática cirúrgica. A criação de comitês de discussão permanentes envolvendo rouparia, lavanderia, farmácia, radiologia, anatomia patológica, banco de sangue, CTI, unidades de internação, admissão e alta, engenharia clínica, central de esterilização e nutrição tende a diminuir os problemas pois fortalece o planejamento das ações.
As lideranças devem identificar os indicadores a fim de monitorar nessas diversas áreas as estruturas, processos e resultados clínicos e administrativos da instituição. Fatores simples, se não forem acompanhados com freqüência, geram grandes prejuízos. Para assegurar processos confiáveis deve-se, por exemplo, manter contato permanente com o responsável pelo transporte do paciente, analisar a marcação de cirurgia com detalhamento das necessidades, garantir previamente a orientação e o esclarecimento adequados aos pacientes e familiares, e ter o preparo de sala checado por profissional responsável. As atribuições bem definidas dos membros da equipe, junto com o treinamento e a educação continuada, tendem a otimizar a utilização do centro cirúrgico de forma eficiente e segura.
Acreditação hospitalar e qualidade caminham juntas. O compromisso dos gestores com a liderança capacitada, a educação permanente, a valorização e integração dos profissionais e a priorização do respeito aos direitos do paciente e familiares é o caminho para a conquista da excelência na área de serviços de saúde no Brasil.

 

Silvana Abrantes Vivacqua, enfermeira e avaliadora do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA).

 

 




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