Com todos os avanços tecnológicos na área de saúde que conquistamos no mundo moderno, conseguimos prolongar a vida, evitar mortes e morbidades que até bem pouco tempo flagelavam grandes quantidades de pessoas. Por este mesmo motivo, ainda vivemos um momento interessante onde temos que admitir que nós não conseguimos resolver muitos casos da forma que gostaríamos, apesar de conseguirmos manter a vida.
A perspectiva atual é de que as internações domiciliares sejam cada vez mais frequentes e substituam boa parte do tempo de uma internação hospitalar. Neste contexto, é essencial que exista uma preocupação com a continuidade do cuidado entre hospitais, clínicas, ambulatórios e os serviços de home care.
Falhas de comunicação entre estas instituições são causas importantes de diversos danos físicos, sociais e psíquicos a pacientes e suas famílias e devem ser identificadas para garantir a qualidade de vida no ambiente domiciliar.
Entre as principais falhas que podem acontecer, destacam-se: atraso de antimicrobianos (antibióticos); administração de medicamentos e alimentos aos quais o paciente é alérgico; a falta de um medicamento ou cuidado por planejamento inadequado, entre outras. Todas essas falhas têm consequências variadas e podem elevar inclusive o risco de morte do paciente.
A transferência de cuidados entre um hospital ou clínica para os cuidados domiciliares deve ainda prever o transporte adequado às necessidades do paciente com o objetivo de minimizar os riscos inerentes à remoção.
A forma mais adequada de garantir a segurança no momento da passagem de cuidados para o domicílio ainda é o planejamento da alta. Este é um momento especial da avaliação feita pelos profissionais do hospital ou clínica e deve acontecer, sempre que possível, alguns dias antes da alta.
O plano de alta nasce de uma discussão entre o médico que acompanha o paciente e os diversos profissionais de cuidados: enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, assistente social entre outros, com o objetivo de prever que tipos de cuidados o paciente precisará em casa.
Há pacientes que necessitam readequação da estrutura da casa onde moram, como quartos no andar térreo, apoio no banheiro ou camas especiais e o melhor momento para fazer estas modificações é enquanto o paciente ainda está internado.
A comunicação dos profissionais do hospital com o grupo do home care é essencial para que uma visita seja agendada à casa que receberá o paciente e o local seja avaliado conforme as necessidades individuais identificadas pela equipe.
Quando um planejamento bem feito é realizado, em geral, no momento da alta, o ambiente domiciliar já estará preparado para a transferência e a segunda parte do plano será efetuada: a equipe do home care, que já trabalhava junto aos profissionais do hospital, receberá um relatório completo contendo o resumo da internação, a prescrição mais atual, exames e as restrições do paciente.
O transporte até a residência deve ser feito sempre que possível pela equipe do home care ou por equipes registradas pelo hospital ou home care, capacitadas para este serviço.
O plano de alta possibilita ainda que, no momento da chegada, toda a medicação, aparelhos e cuidados já estejam disponíveis para o paciente, assim como toda a programação de visitas de profissionais e o algoritmo a ser seguido em caso de emergências ou imprevistos.
Hoje, muitas instituições de saúde já se preocupam com esta transição e são zelosas no planejamento da passagem de cuidado. Entretanto, sempre é coerente que pacientes e familiares participem deste planejamento orientando ou cobrando as etapas descritas para que a possibilidade de falhas seja minimizada.
Sérgio Eduardo Soares Fernandes, médico e consultor em acreditação do Consórcio Brasileiro de Acreditação
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