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09/10/2017
Inteligência artificial aplicada à saúde expõe pontos de vista diferenciados sobre o tema

As palestras finais do IV Congresso de Acreditação CBA 2017 foram abertas com uma mesa sobre inteligência aumentada, projeto desenvolvido pela IBM. Diretor executivo do Watson Health, Fábio Mattoso, abriu sua participação destacando que a inteligência aumentada ou inteligência artificial nunca vai substituir o médico. “A computação cognitiva nunca vai substituir o ser humano. Ela é apenas uma ferramenta, tal qual foi o estetoscópio, a anestesia e o antibiótico”, declarou. Ele explicou que o Watson é uma plataforma de serviços cognitivos na nuvem capaz de ler e entender dados estruturados e não-estruturados.

O Watson foi desenvolvido entre 2006 e 2010 e teve sua ‘prova de fogo’ em 2011, quando participou do programa de tevê norte-americano Jeopardy, um jogo de perguntas e respostas e derrotou os maiores vencedores da competição. “Ele aprendeu a pensar como um ser humano, ranqueando as respostas em cima de evidências. Não faz simplesmente uma busca por palavras chaves e nem é machine learning”, contou Mattoso.

“O Watson pode ser usado para qualquer coisa. Como o foco aqui é a Medicina, ele pode ser aplicado em assistência diagnóstica, pesquisa clínica. Como ele faz a pesquisa clínica? Trazendo milhares de publicações oficiais, de credibilidade”, explicou. A mesa contou com a moderação da gerente de qualidade da Americas Serviços Médicos, Érica Mota de Sousa Batista. Convidados a debater o tema, o diretor de pesquisa e desenvolvimento da Epimed Solutions, Márcio Soares, e o diretor clínico do Hospital São Vicente de Paulo, Márcio Neves, questionaram Mattoso sobre as questões práticas da utilização da plataforma Watson na medicina. Soares lembrou que ainda falta a validação médica e Mattoso replicou que os estudos estão sendo feitos. “Precisamos reunir uma massa gigantesca de dados que possa validar a plataforma”, respondeu. Márcio Neves apresentou um contraponto à apresentação de Mattoso, ao indagar em quanto tempo o Watson passará a ser apenas um buscador de informações médicas, apresentando informações elementares. Mattoso foi taxativo ao revelar que a plataforma Watson está em constante evolução.

A mesa seguinte enfocou o IBM Watson Health na Oncologia, com a apresentação de Miguel Aguiar Neto, líder em saúde da IBM Brasil. Ele esclareceu como a plataforma é utilizada na análise dos atributos clínicos do paciente. De acordo com ele, a ferramenta busca as evidências e apresenta, para aquele conjunto de atributos, uma lista de caminhos terapêuticos, apontando quais os mais adequados e quais seriam prejudiciais à saúde do paciente. “Ele não faz diagnósticos, apenas apresenta linhas de tratamento”, completou. Aguiar Neto destacou que o Hospital Mãe de Deus, no Rio Grande do Sul, é o único no Brasil que está testando o Watson, em fase experimental. O presidente do Americas Centro de Oncologia, Nelson Teich, questionou se o Watson pode apresentar melhores resultados do que o tratamento tradicional. Aguiar Neto esclareceu que a plataforma utiliza dados curados e não da internet. Teich ressaltou que um dos grandes problemas da informação é a qualidade dela. Ele entende que a plataforma Watson ainda se encontra em desenvolvimento, mas acredita que ela chegará a ser um suporte para os bons médicos. “Minha preocupação é que se incorpore uma nova tecnologia apenas porque é nova e não porque seja comprovadamente eficaz”, disse.

O representante da Fundação Champalimaud, Pedro Gouveia, chamou a atenção para o fato de Portugal utilizar os protocolos europeus de tratamento e apontou a inviabilidade da adoção da plataforma Watson, que segue os padrões norte-americanos.

A última mesa do Congresso teve como tema o Watson Health para imagens e foi apresentada pelo pesquisador da IBM, Rogério de Paula. Ele explicou que um simples exame de ressonância gera 10 mil imagens e que a grande questão é saber separar as que sejam de fato relevantes. Para isso, o Watson Health está aprendendo a interpretar as imagens, aliando tecnologia e informações de contexto. O presidente do Conselho Diretor do DASA, Romeu Domingues, acredita que “a inteligência aumentada pode melhorar a qualidade e pode chegar até áreas remotas”. Rogério de Paula destacou que um dos objetivos do Watson para imagens é justamente dar tempo para que os médicos possam se dedicar ao que é mais importante, enquanto o trabalho mais burocrático de seleção das imagens poderia ser feito por meio da inteligência aumentada. Ao encerrar a mesa, o coordenador de medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC Rio), Hilton Koch, convidou a superintendente do CBA para fazer o encerramento oficial do Congresso.

Divisor de águas

“Este Congresso foi um divisor de águas para o CBA, em termos de conhecimento e também de conteúdo”. Foi assim que Maria Manuela Alves dos Santos abriu o discurso de encerramento do evento. Ela afirmou que o Congresso trouxe uma nova vertente, de temas que foram discutidos em profundidade nos dois dias do evento. Maria Manuela destacou o que considera os dois pontos altos do Congresso CBA 2017: como as tecnologias influenciam no cuidado ao paciente e o alerta feito por Paula Wilson, sobre a utilização de tecnologias que não estejam claramente testadas e que podem trazer novos riscos. Ela também chamou a atenção para a importância da padronização dos dados coletados: “A gente vai continuar a trabalhar ‘comparando fruta com tijolo’, se nós não soubermos coletar dados de forma uniforme e igual”. Para encerrar, ela deixou um alerta: “A evolução é muito rápida. Por isso, tem-se menos chance de corrigir as coisas. E isso me preocupa bastante”.

Atenta à discussão, Paula Wilson fez uma avaliação muito positiva do Congresso. “Foi uma experiência incrível participar desse evento promovido pelo CBA e eu posso dizer que há dois elementos especialmente valiosos para o grande público que esteve aqui. O conceito geral de tecnologia e o que isso significa para o cuidado em saúde. Isso é extremamente importante e precisa ser discutido justo no momento em que as coisas estão acontecendo. Eu aprendi muito e estou muito feliz de ter feito parte deste evento”, afirmou a CEO da JCI, que veio ao Brasil especialmente para participar do Congresso.

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