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13/04/2017
O “Abril pela Segurança do Paciente” e os desafios para os próximos tempos
Por Andréa Donato Drumond *

O desafio para alcançarmos uma assistência de qualidade, adequada, eficiente, oportuna, otimizada e efetiva é algo de grande proporção e que implica em grandes mobilizações, em todo o sistema. Considerando que a segurança do paciente significa a dimensão ou atributo da qualidade que nos impele a grandes esforços para que o cuidado possa produzir seus efeitos desejados e não causar dano, o desafio de torná-la real no contexto do nosso sistema e serviços de saúde torna-se incessante, diário. Uma missão!

Até aqui avanços foram alcançados e, ainda que as respostas para enfrentamento à falta de segurança do nosso sistema e serviços de saúde não se desenvolvam na velocidade esperada e necessária, as iniciativas governamentais com a publicação do Programa Nacional de segurança do Paciente em abril 2013 e na RDC nº36, da ANVISA, que instituiu o Núcleo de Segurança do paciente e o sistema de notificação de eventos adversos, além da sistematização dos Protocolos Básicos de Segurança do Paciente, nos sinalizaram o caminho, sem volta, que deve ser percorrido.

Reconhecendo que o cenário atual da saúde, na medida em que se mais complexo, incorpora novos riscos, as estratégias de identificação, controle e gerenciamento do risco devem estar cada vez mais centradas na melhoria da segurança. Podemos dizer, de forma muito realista, que a inovação e a melhoria dos padrões de cuidado criam novas formas, em potencial, de se produzir o dano, uma vez que surgem novas maneiras pelas quais o sistema de saúde pode falhar, prejudicando pacientes.

No Brasil e no mundo, são imputados aos pacientes riscos desnecessários. Muitas vezes, decorrentes de uma série de fatores, falhas e erros relacionados à prestação do cuidado que poderiam ter sido evitados se os protocolos fossem corretamente seguidos ou medidas de verificação e checagem se tornassem práticas cotidianas realmente utilizadas, frente aos processos do cuidado. As respostas a esta realidade demandam ações imediatas e consistente, sustentadas, para a segurança dos pacientes.

Serviços de Saúde precisam reconhecer esta realidade e buscar soluções para alcançar o patamar de organização e maturidade da cultura, adotando medidas para a melhoria da qualidade e segurança do cuidado que incluam o fortalecimento da cultura de segurança, um amplo espectro de educação e qualificação dos profissionais, o fortalecimento do sistema de notificações e tratamento dos eventos adversos, a medição e o monitoramento dos processos de cuidado com base na segurança, além da necessidade de mapeamento e gerenciamento dos riscos do ambiente e dos processos de cuidado aos pacientes.

Outro aspecto muito importante para o desenvolvimento de iniciativas trata-se da centralidade do paciente, ou seja, que sejamos capazes trazê-lo para o centro do cuidado, estimulando e valorizando a sua participação no processo, dando a ele o protagonismo necessário e almejado para que possa contribuir proativamente para o fortalecimento do cuidado seguro.

Como centro colaborador da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a Segurança do Paciente, a Joint Commission International (JCI) estabelece entre seus padrões de acreditação, que serviços de saúde implantem processos para avaliação e fortalecimento da cultura de segurança; procedimentos para monitoramento de eventos adversos e sentinelas, além das medidas de prevenção de falhas.

Recomenda, ainda, que cuidados sejam centrados no paciente e que os serviços de saúde estabeleçam suas políticas para assegurar a oportunidade do cuidado seguro e efetivo, durante todo o percurso do cuidado.

O Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), parceiro da JCI no Brasil, também estruturou seus fundamentos para o cuidado seguro, estabelecendo propósitos para assegurar o cuidado seguro e a eficácia da sua continuidade.

Unindo esforços às diretrizes da OMS, o Ministério da Saúde lançou a campanha “ABRIL PELA SEGURANÇA DO PACIENTE”, para disseminação da importância da temática e das ações práticas para assegurá-la.

Desta forma, é preciso que se reconheça - em cada canto deste país, em cada serviço de saúde, em cada associação profissional, em cada centro formador – e se implante iniciativas em prol da segurança do paciente, firmando propósitos e ações para elevar a confiabilidade do sistema, que sejam:

  • O fortalecimento da cultura de segurança nos serviços;
  • Os estudos e avaliações relacionadas aos fatores humanos e organizacionais para o alcance de processos e cuidado seguro;
  • A efetividade da comunicação na transição dos cuidados, no contexto das instituições e equipes como meta, altamente estratégica, a ser alcançada para a segurança do paciente;
  • A necessidade de reconhecermos os riscos potenciais e desenvolvermos as barreiras preventivas de controle ou mitigação, quando indicada, como uma ação estratégica, sem precedentes;
  • A estruturação de medidas para modelagem de processos que inclua o empowerment, - “empoderamento” das equipes - para atuar pela segurança do paciente; o fortalecimento da liderança para encaminhar questões e conduzir ações de melhoria; o gerenciamento da informação como importante método para avaliação e aprimoramento dos processos.

Na certeza de que os desafios são assemelhados à magnitude do problema da falta de segurança, é necessário avançarmos com base nas cinco transições para a segurança do paciente, propostas por Amalberti e Vincent, no livro Cuidado de saúde mais Seguro, lançado no ano passado:

  • Entender riscos e dano pelos olhos do paciente;
  • Avaliar tanto os benefícios como os danos dos episódios de cuidado;
  • Entender a segurança do paciente como a gestão dos riscos ao longo do tempo;
  • Adotar diferentes modelos de segurança segundo o contexto;
  • Usar uma ampla gama de estratégias e intervenções de segurança; nos resta seguir em frente na missão de tornarmos nossos sistemas e serviços mais seguros para nossos pacientes.

Para avançarmos neste processo, é preciso que todo o sistema de saúde esteja atento às questões da melhoria da qualidade e segurança do paciente, realizando uma profunda análise, um diagnóstico consistente da situação, traçando metas, objetivo e ações, aperfeiçoando seus processos, para que possam atuar de forma diligente, segura, eficiente, garantindo a assistência segura, adequada e oportuna aos seus pacientes, ou pereceremos todos pela falta da segurança.

* Andréa Donato Drumond é educadora de Projetos para Melhoria da Qualidade e Segurança do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), Gerente da Unidade Santa Catarina da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (CASSI) e consultora em Gestão da Qualidade e Segurança do Paciente. É ainda docente/tutora do curso de Especialização em Qualidade em Saúde e Segurança do Paciente para a Rede de Urgência e Emergência - RUE / ENSP-EAD-FIOCRUZ.

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