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01/03/2017
Gestão de custos impacta na sustentabilidade das instituições de saúde

As novas exigências do mercado das instituições de saúde tornam o termo gestão uma necessidade em todos os níveis de uma organização. A gestão de custos passa a ser ferramenta estratégica para desenvolver um controle de gastos a fim de que as variações de custos médicos-hospitalares não comprometam a saúde financeira e a sustentabilidade do negócio. Diante de um cenário de alta nos gastos com tecnologia e perda de beneficiários, essas organizações devem buscar um método viável para superar as mudanças impostas pelo cenário atual. Nesta entrevista, o economista Franklin Lindolf Bloedorn, avaliador da Joint Commission International (JCI) e professor da disciplina Gestão de Custos nas Instituições de Saúde do curso de pós-graduação Qualidade em Saúde: Gestão e Acreditação, do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) fala sobre as habilidades que os gestores das unidades de saúde devem ter para evitar o impacto desse cenário e equilibrar as contas.

CBA – O índice de variação de custos médico-hospitalares, segundo o Instituto de Estudos de Saúde Complementar, registrou alta de 19,3% nos últimos 12 meses, encerrados em dezembro de 2015. Esse indicador vem crescendo desde 2011 acima de dois dígitos e esse resultado remete a um cenário preocupante do ponto de vista da sustentabilidade das instituições de saúde. O que as instituições devem fazer?

Franklin Lindolf Bloedorn - O conceito de pagamento por procedimentos tem contribuído em muito para este aumento elevado das atividades de saúde. A necessidade urgente da mudança do modelo de remuneração dos partícipes deste mercado é imperativo. Comprometer os prestadores de serviços de saúde desde o início do cuidado até a finalização do mesmo certamente auxiliará sobremaneira no controle destes gastos que têm subido acima da inflação geral. Tais premissas deverão envolver ainda o profissional médico que, no modelo atual, não tem visão de todo o tratamento proposto a este paciente.

CBA – A saúde suplementar também sofreu forte impacto. No ano passado, o segmento teve uma expressiva perda de beneficiários: foram 1,3 milhões de segurados a menos, sendo 187 mil oriundos de planos coletivos empresariais. Esse cenário se manteve no primeiro trimestre de 2016, de acordo com a Fenasaúde e essa perda acaba impactando as instituições de saúde que mantém convênio com as operadoras de saúde. Quais atitudes que o gestor de uma unidade de saúde deve ter para evitar o impacto e equilibrar as contas?

Franklin Lindolf Bloedorn - Diria que as instituições de saúde terão de reinventar-se. Não poderão mais ter postura passiva. Terão de ser pró-ativos. Buscar interagir com suas comunidades, entendendo o porquê de determinadas enfermidades acometerem certas populações, e desenvolver programas preventivos também. Desta forma, o recurso alocado pelas empresas trará mais benefícios no médio e longo prazo, e as instituições de saúde passarão a ter mais foco naquilo que de fato deverá ser a sua atuação, que é o atendimento a pacientes que realmente venham a necessitar de uma internação hospitalar, ou procedimento ambulatorial, se for o caso.

CBA - Dizem que saúde não tem preço, mas há custos para geri-la. Como conjugar saúde e gestão? Como o gestor deve lidar com o impacto das novas tecnologias e o reajuste de custos de exames, como, por exemplo, o da tomografia computadorizada que subiu 40%, entre 2012 e 2015, ou ainda com o valor médio de itens hospitalares, que passou de R$91,92 em 2007 para R$401 em 2015 - um aumento de cerca de 330%, que representa cinco vezes mais o IPCA desse mesmo período?

Franklin Lindolf Bloedorn - A compreensão de conceitos produtivos será muito útil aos gestores, sejam estes assistenciais ou não. Conceitos de volume, economia de escala, redução de desperdícios, lotes econômicos de atendimento, capacidade instalada versus demanda e inúmeros outros conceitos de gestão que ainda não chegaram em muitas instituições de saúde. Decidir o que fazemos bem e porque, e identificar o que não fazemos tão bem auxilia em muito a equalização das contas ao final de um período, seja este mensal ou anual.

CBA – Há métodos e sistemas mais indicados para instituições de saúde gerirem seus custos?

Franklin Lindolf Bloedorn - No contexto atual das instituições de saúde brasileiras, qualquer modelo de custeio que venham a adotar será salutar. Começar com Custeio Direto e por Absorção, por exemplo, por ser de mais fácil compreensão e implementação, certamente trará resultados mais rapidamente para aquela organização que não estiver utilizando nenhum modelo ainda.

CBA - É possível gerir custos e não perder a qualidade?

Franklin Lindolf Bloedorn - Gerir custos é justamente o que permitirá viabilizar processos mais seguros e, consequentemente, aprimorar a qualidade e a segurança da assistência prestada ao paciente. Os requisitos básicos para iniciar avaliação de custos serão muito úteis para entender processos e aprimorá-los, o que permitirá melhora da qualidade.

CBA – A gestão, hoje, é uma preocupação apenas da alta direção ou é uma tarefa também de líderes?

Franklin Lindolf Bloedorn - As novas exigências do mercado das instituições de saúde tornam o termo gestão uma necessidade a ser utilizada por todos os níveis da organização, e não somente pela alta direção. Conhecer as atividades que o meu setor desempenha avaliando se geram ou destroem valores passa a ser atribuição de cada líder, independente de sua posição no organograma. A gestão de custos passa a ser ferramenta estratégica para responder a estas e a muitas outras perguntas.

CBA - Como o curso “Gestão de Custos nas Instituições de Saúde” pode contribuir para carreira dos profissionais de saúde, gestores e lideranças intermediárias, públicos-alvo do curso oferecido pelo CBA?

Franklin Lindolf Bloedorn - Desmistificar o tema já é um grande passo nesta direção. Permitir que profissionais da saúde, com formação técnica assistencial, compreendam o assunto, sem tornarem-se especialistas em custos, compreendam como a sua atividade profissional diária e as decisões assistenciais tomadas, agregam valor ou custo aos processos da organização, ou que ainda entendam de forma prática o dia a dia de sua atividade e não uma ciência complexa que para muitos parece não fazer sentido quando atua-se na assistência de pacientes é o objetivo. A ideia é que esses profissionais tornem-se apto a participar com os gestores administrativos dos processos de redução de custos assistenciais, sem comprometer a segurança na assistência prestada ao paciente.

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